Formiga Vermelha

10/03/2004 02:39
Tive que me render ao lay do Blig mesmo pq não sei o q há mas os lays q coloco aqui não ficam por mais de 4 dias... una mierda.

enviada por formiga vermelha



10/03/2004 01:32
Poesia... ah, a poesia. Há tanto não consigo ver a vida com poesia.
O meu lado Oxossi tem falado mais alto, embora a sensibilidade de Oxun tenha me tomado. Contraditório, não? Instabilidade é meu segundo nome. Meu emocional está completamente descontrolado; pra variar é a velha luta entre a razão e a emoção. Não tenho conseguido manter o equilíbrio, aliás nunca consegui de fato. Tenho essas fases que se alternam, às vezes duram meses, às vezes dias, às vezes horas. Na última semana durou momentos curtos e bem se pode observar isso no meu “problema” com o Dan. A razão diz para botar um ponto final nessa história, contudo os laços emocionais não deixam. No domingo já tinha decidido terminar, pela manhã mudei de idéia e à tarde já morria de saudade e nem pensava em dizer-lhe nada. Ontem cheguei a escrever uma carta expressando minhas insatisfações, porém não vai sair do caderno ou irá de lá direto para a lata do lixo. Ou seja, as noites mal dormidas, as lágrimas derramadas, o excesso de chocolate... tudo foi desperdiçado, meu tempo, minha saúde. Amanhã já estará tudo bem de novo. Aparentemente.
A fase “sombria” está iminente mais uma vez.

“Tais os excrementos bem frescos num velho pombal,
Mil Sonhos em mim alastram sua doce calcinação :
Depois por instantes meu triste coração é um pinheiral
Sangrado de ouro jovem e sombrio pela resinação.”(Rimbaud

Acho que vou fazer um retiro, vou passar um ou dois dias na casa da minha tia. Meio de semana é perfeito, pois todos estarão aqui em casa, estudando ou trabalhando, enquanto ficarei sozinha por lá, vendo o mar, bebendo um vinho no píer. Estou me acostumando tanto a ficar só que quando tiver que voltar “vida pública” me sentirei perdida. Ah, Uerj... não tenho vontade de voltar a freqüentar seu prédio, mais especificamente o nono andar. Estou mesmo um bicho do mato, cruz credo.
Momento romântico. Leia a letra dessa música do Evanescense, My Imortal. É uma linda balada que me fez quase secar de tanto chorar na última noite.

Estou tão cansada de estar aqui
Reprimida por todos os meus medos infantis
E se você tiver que ir
Eu desejo que você vá e deixe-me
Porque a sua presença ainda persiste aqui
E isso jamais vai me deixar sozinha
Essas feridas não vão cicatrizar
Essa dor é bem real
Há muita coisa que o tempo não pode apagar

Quando você chorasse eu ia limpar todas as suas lágrimas
Quando você gritasse eu lutaria contra todos os seus medos
Eu seguraria a sua mão através de todos esses anos
Mas você ainda tem tudo
de mim

Você conseguiu cativar-me
Com sua vida ressonante
Agora eu estou destinada à vida que você deixou para trás
Seu rosto frequenta
Meus sonhos alegres
Sua voz persegue - aonde vou
Toda a sanidade em mim
Essas feridas não vão cicatrizar
Essa dor é bem real
Há muita coisa que o tempo não pode apagar

Eu tenho tentado dizer a mim mesma e me conformar de que você não está mais aqui
Mas penso que você ainda está comigo
Eu tenho estado sozinha todo esse tempo


Ela também se aplica à saudade que sinto do meu pai. É bem isso mesmo, algo que nunca vou esquecer, uma presença que vai ser constante pro resto da minha vida, obviamente, embora às vezes queira esquecer porque me causa muita dor e a culpa e o remorso são inevitáveis. Não tive culpa do que aconteceu conosco (eu, ele e minha mãe) mas me sinto responsável mesmo assim. A segunda estrofe fez com que me sentisse mal pelo que falei acima. Deveria ter feito isso quando enquanto podia, mas fui covarde, me omiti. Nada pior que culpa por não ter feito algo que era essencial mas não tinha essa consciência, preferi tentar me proteger da dor e essa atitude infantil e egoísta me custou a paz de espírito por todo esse tempo. Então, agora você sabe (parcialmente) o real motivo da minha depressão. Culpa. Culpa essa que desencadeou uma série de outras questões, que me fez questionar que tipo de pessoa eu sou. E agora, com o Dan... Não desejo que ninguém passe por esse tipo de provação. A dor é muito grande, você não imagina o quanto. Quando penso que já está tudo bem trabalhado na minha cabeça algo trás tudo à tona e fico mal de novo.
Talvez eu tenha nascido para viver sozinha. Todas as perdas e possíveis perdas me desmotivam cada vez mais a não me aproximar das pessoas. Não quero me apegar. E os outros... não os quero perto, chega. Desculpa, é um devaneio. Tem horas que eu surto e acho que tenho que viver como uma eremita. Ou é covardia... ou não sei o que é.

enviada por formiga vermelha