31/03/2004 02:25
O tempo não pára, eu bem sei... e já perdi tempo demais, sete meses em plena letargia. Meio "Confortably numb", só que sem droga.
Ah, antes que me esqueça, um grande abraço ao meu querido amigo d'além mar; também estou com saudade... Beijos, ó pá!
Me encarregaram de escrever uma carta à calourada; não tenho a mínima idéia do que escrever. Dizer o quê a eles, que estamos sem centro acadêmico por má vontade de uns e outros e por disputas partidárias, que nosso instituto tem um chefe que não sabe nem das instâncias dele (portanto não sabemos a quem recorrer em alguns casos) e que se nega a coordenar uma pesquisa para ajudar aos alunos cotistas, falar da podridão que está por trás da prova pra professor efetivo de ciência política... que a uerj está num estado calamitoso ainda mais agora que a Rosinha cortou nossa verba - e ainda preside o conselho universitário... Pessimismo pouco é bobagem, fala a verdade, hehehehe...
Perdi o dia dormindo. Adoro dormir, porém logo pesa a consciência - poderia ter produzido algo...
Expresso-me melhor escrevendo, contudo tenho grande dificuldade de fazê-lo. O início me desespera. O pânico que tenho de uma folha em branco vem de longa data... Sempre que me deparo com uma sinto-me como um impotente sexual diante da ansiedade de sua parceira. Ele está lá, fita-me e pede: use-me... Rs... Tento, tento e broxo. Como agora, por exemplo. A carta pede palavras que incentivem, esclareçam e não consigo sair do "Carta aos calouros de Ciências Sociais."
A falta de tato com a folha em branco me custou duas reprovações e algumas notas medíocres na faculdade. E agora, vai me custar a credibilidade diante dos meninos, que esperam um bom texto, algo realmente bem escrito, que faça a pessoa cair em prantos de tanta emoção e então, entre lágrimas e pulos de felicidade, exclame: "puta que pariu, esse curso é muito foda, por que não escolhi antes ao invés de ter prestado vestibular pra direito?"
Tenho que dizer a quem chega que tem que se ter um preparo psicológico pra fazer esse curso, ele muda muito a sua forma de pensar o mundo. Não é mero exagero. É um curso pra quem é apaixonado por leitura e tem uma sede insaciável de conhecimento, assim como Filosofia. Não é o tipo de curso em que se decora um calhamaço de coisas pra depois sair borrifando nas conversas de bar milhares de frases de efeito para parecer inteligente (é o que mais se faz, pula essa), mas para uma profunda reflexão sobre o homem e seu papel na sociedade.
A parte difícil é mostrar as ramificações do curso. O que vou falar de antropologia, por exemplo? Que começou como um instrumento de dominação e hoje em dia 95% de suas pesquisas são sobre coisas inúteis...? A sociologia também não tem progredido muito, está estagnada, pelo menos aqui no Brasil pelo que tenho visto, no tema "violência" ou pendendo para a política, e a ciência política, bem... esta é a ciência das ciências do curso, hehehe... Brincadeira.
Mas, voltemos à folha em branco e à depressão que ela me causa. Se eu não cortar meus pulsos com uma gilete enferrujada por causa do texto, volto ao blog mais tarde.
enviada por formiga vermelha
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